Nota do Corpo Docente do IESP-UERJ sobre a situação atual do estado do Rio de Janeiro e da UERJ

A profunda crise vivida pelo estado do Rio de Janeiro também chegou à UERJ. Contratados, bolsistas e terceirizados não recebem seus salários ou o fazem com enorme atraso. O Hospital Universitário Pedro Ernesto corre risco de ser fechado. A pesquisa científica está seriamente ameaçada. Projetos já aprovados não são executados devido à ausência de repasse de recursos. Além disso, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2016 encaminhada pelo Governo do Estado à Alerj pode levar a um catastrófico corte de 50% no orçamento da Faperj.

As consequências deste cenário são preocupantes. Muitas pesquisas estão paralisadas e o contingenciamento de recursos prejudica o avanço do desenvolvimento científico no estado. Vários estudantes não podem sobreviver nem têm as condições necessárias para o desenvolvimento de suas atividades, levando inclusive à evasão acadêmica. Trabalhadores veem seus direitos ameaçados e violados. Sabemos que a crise é real, mas também que ela não pode ser um subterfúgio para políticas de austeridade que sempre prejudicam os mais débeis, pondo em perigo também os serviços públicos em geral.

Diante disso, não podemos permanecer indiferentes. A educação deve ser tratada como um direito e a ciência e tecnologia como uma prioridade caso não queiramos ter um retrocesso histórico. Nós, professores e pesquisadores do IESP-UERJ, nos solidarizamos com a pauta de reivindicações do movimento docente aprovada na passada terça-feira, dia 1o de março, em Assembleia convocada pela Associação de Docentes da UERJ (Asduerj).

Entraremos em greve a partir de hoje nas disciplinas que oferecemos aos cursos de Graduação. Também avaliaremos permanentemente a situação de nossos Programas de Pós-Graduação, que seguirão com suas atividades de ensino e pesquisa para não prejudicar o andamento de prazos, as bancas e bolsas de nossos estudantes e as exigências externas à própria universidade. As atividades administrativas essenciais serão mantidas pelos servidores técnico-administrativos, embora com horários reduzidos.

Apoiaremos os atos públicos contidos na pauta de reinvindicações da Asduerj e discutiremos novas formas de mobilização e de apoio ao movimento docente. Finalmente, estamos convencidos de que a reversão do atual cenário exige tanto ação coletiva e a realização de debates públicos que possam ter incidência política e gerar mobilização coletiva. Nesse sentido, gostaríamos de convocar toda a comunidade do IESP para um primeiro Debate Aberto sobre a situação atual da UERJ e do estado do Rio de Janeiro, a ser realizado nesta quinta-feira, dia 10 de março, às 10h no pátio do IESP-UERJ.

Rio de Janeiro, 7 de março de 2016

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